100 Metros Rasos – Londres 2017

Meus Usains e Minhas Boltas,

             Ontem, encerrou-se uma era. Findou-se o ciclo de vitórias do maior velocista de todos os tempos nas provas de 100 metros rasos. De uma forma, absolutamente, digna e cavalheiresca, Usain Bolt ficou com a medalha de bronze na prova realizada no Parque Olímpico Rainha Elizabeth em Londres.

             Tive a impressão de que os quase 31 anos de idade da “Lenda” não permitiram que ele mantivesse a mesma potência e velocidade que o consagraram ao longo dos mais de 10 anos de vitórias. Foi a primeira vez em sua carreira que o “Raio” fez força nos 30 metros finais, e isso pôde ser visto em sua expressão facial ao colocar todos os dentes para fora. Mesmo assim, tamanho esforço não foi suficiente para bater os americanos Justin Gatlin e Christian Coleman que ficaram com o ouro e com a prata respectivamente.

             Não vou analisar aqui os tempos obtidos pelos competidores e nem a evolução dos diferentes resultados dos mesmos. Isso me parece de muito pouca importância quando comparado à grandeza da mensagem de honra e dignidade transmitida pelas imagens dos atletas logo após os 10 segundos de duração da prova.

             Usain Bolt, ao tomar conhecimento do resultado final da prova (pelo placar do estádio), foi direto ao encontro de Justin Gatlin para cumprimentá-lo. O jamaicano ignorou completamente as vaias recebidas pelo atleta americano em função de seus antecedentes relacionados ao doping. Para minha surpresa, numa incrível demonstração de humildade, Gatlin, o novo campeão mundial da prova mais nobre do atletismo, ajoelhou-se e reverenciou o ex-paladino.

             A esta cena seguiu-se um sincero abraço entre os atletas. A reportagem da televisão disse, e eu acredito, que Bolt sussurrou a seguinte frase ao ouvido do rival: “Parabéns, você merece! E eu não concordo com as vaias da arquibancada! ”

              Justin Gatlin, devido à punição pelo uso de doping, ficou afastado do esporte por quatro anos. Por isso, o público presente nas cadeiras do estádio londrino, através de vaias, manifestava o seu repúdio ao corredor americano cada vez que seu nome era pronunciado pelo sistema de som. O que será que foi mais difícil para Gatlin: superar os adversários ou a hostilidade da geral?

             Somente o esporte é capaz de nos dar tamanha lição! Que maravilha seria se todas as divergências da humanidade pudessem ser resolvidas nos parques olímpicos, nas piscinas ou pistas de corrida. Já imaginaram se os presidentes dos Estados Unidos e da Coréia do Norte calçassem suas sapatilhas e disputassem uma prova de 100 metros? Melhor ainda seria imaginar que, ao final da disputa, os dois se ajoelhariam ou se abraçariam efusivamente e calariam os ímpetos furiosos daqueles que, muitas vezes sem perceber, fomentam o ódio ou se afastam da paz.    

             Só posso concluir desejando que Justin Gatlin continue superando todas as dificuldades que vierem a surgir em seu caminho, e que siga vencendo provas e batendo recordes de forma limpa. Ao inigualável Usain “Lightning” Bolt, agradeço por tudo o que fez pelo esporte tanto nas pistas quanto fora delas, e desejo que permaneça sendo apenas aquilo que é: um Homem.

            As fotos aqui apresentadas foram retiradas do site itv News.

            Que o maravilhoso Senhor do Universo continue nos proporcionando guerras e combates nas pistas de atletismo ao redor do mundo!

Abraços pra quem for de abraço e beijos pra quem for de beijo!

Juarez Arigony

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