A Metodologia do Ensino do Surf

Meus Regulars e Minhas Goofies,

Ontem, sábado, 03 de dezembro de 2016, partimos para a nossa aula de surf em Tramandaí. Desta vez, diferentemente da primeira, o local escolhido pelo Professor Dr. Fabiano Bossle foi a plataforma de pesca da praia conforme vocês verão nas fotos a seguir.

Para começar, gostaria de fazer, aqui, mais uma pequena referência elogiosa ao trabalho do Professor Bossle. Ontem, a Colônia de Férias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Tramandaí encontrava-se interditada e não pudemos utilizá-la como ponto de apoio para a aula, fato que causou imenso transtorno. Outra coisa: será que a universidade não poderia disponibilizar um ônibus em que fosse possível se levar as pranchas? Estas, de propriedade do professor, são levadas pelo próprio em seu carro e com o consumo da sua gasolina. A impressão que se tem é de que cada vez mais obstáculos se apresentam para dificultar a atividade. E isso acontece sem que nenhuma autoridade acadêmica, com um mínimo de bom senso, tome qualquer atitude para viabilizar de forma mais consistente o trabalho do já citado professor. A continuar assim, tudo leva a crer que a disciplina, muito em breve, não será mais disponibilizada, o que traria um grande prejuízo para os alunos da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança (ESEFID). Prezado Professor Bossle, em meio a todas as intempéries, valorizo ainda mais o seu esforço e empenho. E, sem nenhuma pretensão de ser o porta-voz dos colegas que cursam a disciplina, penso que, neste caso específico, conto com o apoio de todos.

Após este breve desabafo, vamos ao propósito deste post: contar um pouquinho do que foi a nossa segunda aula de surf. E começo ressaltando uma coisa que é de fundamental importância: depois de uma semana de exaustivas batalhas pelo desenvolvimento da educação neste país, deixem os professores dormirem um pouco!1

Eles também têm direito a tomar um café no Maquiné como qualquer mortal que habita o sul do Brasil.

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Mais ainda: não só os professores, mas todos os seres humanos deveriam escutar as fabulosas aventuras do Professor Jacson Severo Encostado no Poste!4

E, depois de muitas histórias, chegamos ao pátio da nossa escola – a Plataforma de Pesca de Tramandaí – colossal obra de rara beleza arquitetônica naval.
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Num dia bastante nublado e prenunciando chuva, a Vitória, a Carolina e a Isadora chegaram alegrando o ambiente, desfilando e espalhando sorrisos sobre as úmidas areias tramandaienses.

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E, tão logo se fechou a passarela, o Professor Bossle revisou a teoria básica a respeito da metodologia do surf.

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Na sequência, fomos para a água divididos em duplas da seguinte maneira: primeiro um seria o professor do outro por 45 minutos; logo após, o outro seria o professor do um pelo mesmo tempo. Entenderam? Simples e extremamente prático e pedagógico! Vejam, abaixo, as duplas entrando no mar.

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Deve-se entrar na água puxando a prancha pelo leash com a mão o mais próximo possível do copinho (local da prancha onde a cordinha é amarrada). Dessa forma, o bico da prancha apontará para a areia e a rabeta para dentro do mar. Vejam, abaixo, a demonstração do professor Henrique.

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Abaixo, vê-se as duplas acompanhadas pelos monitores.

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A primeira tarefa a ser realizada para se seguir, corretamente, a metodologia disseminada pelo mestre Bossle consiste em, com o auxílio do professor, deitar o aluno sobre a prancha de forma que ambos – aluno e prancha –  fiquem estáveis. O bico da prancha não pode afundar na água, e nem ficar muito elevado.

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O professor segura a borda lateral da prancha com uma das mãos, e com a outra empurra a rabeta para colocar o aluno na onda. O professor escolhe a onda e, apenas, avisa para o aluno o momento em que dará o empurrão – “Vai!”.

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Após o “lançamento”, o aluno, sobre a prancha, zingra feliz, alegre e sorridente as águas do oceano!

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Na segunda fase da metodologia, o professor determinará o momento em que o aluno deve começar a remar. O aluno entrará na onda através da própria remada e, ainda, com o auxílio do empurrão do professor.

Na terceira fase, o aluno, após entrar na onda, erguerá o tórax da prancha com o auxílio dos braços. Este palhaço aí em baixo resolveu fazer graça e ergueu os braços! Bobalhão!

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Na quarta e última fase, o aluno escolhe a onda, rema e entra sozinho na mesma. O professor, à frente do aluno, apenas acompanha o processo e fornece algumas orientações para corrigi-lo. Se for possível, nesta fase, o aprendiz ficará de pé. Se não, ele, apenas, aproveita e curte o “jacaré”!

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Para não estragar a prancha, não se deve deixar que as suas quilhas batam na areia do fundo do mar. Sendo assim, para evitar o prosseguimento em direção à parte rasa, o aluno, já com absoluto domínio do artefato sobre o qual se encontra deitado, deve fazê-lo girar para dentro do mar, saindo da onda e evitando que aconteça o infortúnio anunciado acima.

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Na areia, enquanto o Professor Bossle ministrava na água, a Tanise dava um jeito na coluna do Sérgio.

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Um conselho: se fores dar aula de surf para um grande número de crianças, trate de proporcionar alguma atividade, na areia, para elas enquanto estás no mar (acho bom até levar um/a recreacionista). Caso contrário, elas ficarão entediadas e começarão a perturbar a paz e a tranquilidade dos demais banhistas – ninguém merece!

O Pablo ficou furioso comigo! Olha só os “oião” atravessado dele pra mim! A propósito: eu fiz dupla com a Vitória.

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Questão que caiu na prova do último ENADE: marque uma das alternativas abaixo. O que tem de mais bonito na foto a seguir?

  • (A) A Vitória;
  • (B) A franja do Juju;
  • (C) A sunga do Litram (creindeuspai!).

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Quando eu e a Vitória estávamos saindo da água, olha só quem encontramos na beira da praia: o Kelly Slater da ESEFID, Professor Dr. Eduardo Cadore. Que sorte e que prazer! Professor Cadore, um grande abraço deste seu aluno e admirador!

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As práticas na natureza nos proporcionam encontros maravilhosos! Vejam a beleza e a imponência da garça abaixo!

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O mar, então, começou a crescer! O Professor Bossle preocupava-se com a excepcional destreza de seus discípulos junto às borrascas marítimas.

41 Foi o momento de tirar o time de campo, ou melhor, do mar!
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Sob o gazebo do Dante, começamos a bater em retirada! Observem, na foto abaixo, a tristeza do nosso querido Nacho – popularmente conhecido por Mogli, o menino lobo. É que ele recém tinha tatuado duas meigas cabeças de dragão (uma no peito e outra nas costas), e não pôde participar mais efetivamente das atividades tal como fizera na primeira aula (veja o post anterior). El niño estaba muy deprimido!

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E vejam só que coisa mais querida! O Joãozinho conversando com o buzão antes de embarcarmos para a viagem de volta!

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Gente, é brincadeirinha! Não foi nada disso! É que vocês sabem como é passeio de pobre: sempre chove e, na volta, o ônibus estraga!

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Para resolver o problema – limpador de para-brisas quebrado – contamos com o safismo e as peripécias do nosso Rodrigo Motora,

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E ainda tivemos a sorte de eu ter, na mochila, um dos parafusos novos que eu havia comprado para o limpador de para-brisas da minha Romi-Isetta (recém-nascidos, olhem no Google!).56

Amigos, apesar da chuva na volta e das dificuldades enfrentadas em virtude do mau estado de conservação do ônibus, a aula foi excelente. Excelente também foi a oportunidade de convívio e confraternização dos colegas da ESEFID nesta fantástica prática junto à natureza.

No próximo sábado, 10 de dezembro de 2016, teremos a nossa última aula de surf do semestre corrente. Mal posso esperar pela repetição dos agradáveis momentos que vivi no dia de ontem.

Enquanto aguardamos, peço ao bom e eterno Pai que continue nos abençoando e protegendo em todos os mares, e nos enchendo de coragem para droparmos as mais altas ondas!

Abraços e beijos,

Juarez Arigony

Beijos do Moré!

Meus Golfinhos e Minhas Sereias,

Hoje finda-se um ciclo.

E a vida é assim mesmo! Como diria o grande filósofo Lulu Santos: “A vida vem em ondas como o mar… Num indo e vindo infinito…”!

Eu jamais poderia imaginar que, ao longo desses últimos três anos, pudesse ter a oportunidade de conviver com crianças, pais, avós e amigos maravilhosos que me mostraram que vale a pena acreditar nos sorrisos, e nos mais simples gestos de ternura que brotam de corações verdadeiramente puros.

É possível não acreditar na beleza da vida quando se tem um sorriso desses no colo? Dado, muito obrigado por todos os ensinamentos a respeito das aftas e da acidez das maçãs – nunca me esquecerei! Meu galã, a Globo te aguarda – eles estão só esperando aquele dente voltar pra dentro da boca!

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João, Gabi, Aninha, Léo e Dado, acreditem! Eu nunca senti um chulé pior do que o de vocês! Deuzulivre! Comecem a tomar banho e a passar talco nos pés!

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Foi neste tapetão que vocês me ensinaram a contar até dez! Afinal, são… “1, 2, 3 indiozinhos… 4, 5, 6 indiozinhos… 7, 8, 9 indiozinhos… 10 no pequeno bote”! Um grande beijo do seu eterno “jacaré”!

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Sara, Clara, Henrique, Isadora, Julinho e Arthur (Sofia e Maria Clara – que não aparecem na foto), vocês são os discípulos que todo mestre deseja ter, ou melhor, os discípulos que todo “moré quer”! Vocês me permitiram cursar uma disciplina, muito importante, que não está presente nos currículos das melhores faculdades de Educação Física do país: ajuste de óculos de natação! Sigam em frente, acreditem nos seus sonhos e lembrem-se sempre da história da medalha de prata: nunca desistam!

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Queridos pais e amigos, muito obrigado por terem acreditado em mim e me confiado uma pequena parcela da educação dos seus filhos. Se mais não fiz foi porque não soube ou me faltou competência, mas, acreditem, vou continuar estudando para corrigir as falhas, e meu coração estará sempre de portas abertas para recebê-los!

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Professores Mário Freitas e Vítor Silva, muitíssimo obrigado por esta incrível oportunidade. Como disse no início do texto, parto porque findou-se um ciclo e “tudo muda o tempo todo no mundo”! Contem sempre comigo!

Por fim, e antes de mais nada, muito obrigado meu Deus!

Abraços e beijos,

Juarez Arigony

Surf em Tramandaí

Meus Straps e Minhas Cordinhas,

Ontem, 19 de novembro de 2016, em uma das mais belas manhãs de sábado do ano que está terminando, eu e mais vinte e quatro colegas da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ESEFID/ UFRGS) tivemos a nossa primeira aula da disciplina de Surf.

A instrução foi ministrada pelo Professor Dr. Fabiano Bossle na praia de Tramandaí/ RS próximo a guarita 144 (Área de Surf) conforme vocês podem observar na foto abaixo, em que aparece este aluno com a citada atalaia ao fundo.

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Antes da prática propriamente dita, tivemos uma explanação teórica realizada na churrasqueira da Colônia de Férias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) onde ficamos alojados. Durante este encontro, alguns pontos foram acordados seguindo as orientações do já referido mestre. Em primeiro lugar, foi explicado que a matéria não será conduzida na dimensão competitiva de esporte, e sim como uma prática corporal na natureza.

O Professor Bossle ainda explanou que não seguiríamos a metodologia havaiana de ensino. Esta, adotada pelos professores Felipe Raupp de Torres/ RS e Alexandre Bidart de Capão da Canoa/ RS, ensina os gestos motores na areia, portanto, fora do ambiente onde a prática é realizada. Começamos direto na água através do reconhecimento do ambiente.

Também de forma diferente da utilizada pelos dois citados professores do litoral norte gaúcho, adotaremos a subida na prancha em único movimento sem utilizar o apoio do joelho. A divisão do movimento em fases, segundo o nosso professor, pode fazer com que o aluno adquira vícios que serão muito difíceis de serem sanados.

Três regras básicas foram disseminadas pelo catedrático. Primeiro: para surfar é obrigatório o domínio da natação utilitária – a que garante a sobrevivência no mar, e não a utilizada nas competições. Segundo: para entrar no mar é obrigatório que se saiba sair. E terceiro, mas não menos importante: não surfar sozinho. Como se pode observar, as três regras mencionadas visam à segurança do surfista.

Apenas a título de informação, utilizaremos nas nossas aulas quatro pranchas de softboard de 9 ft com três quilhas – todas de propriedade do Professor Bossle.

Após este rápido encontro introdutório, fomos divididos em quatro grupos de quatro ou cinco colegas. Cada grupo teve uma hora de aula: das 10:50 às 11:50h; das 11:50 às 12:50h; das 12:50 às 13:50h; e, o último, das 13:50 às 14:50h. Durante o período em que não estávamos em aula, ficamos na areia assistindo aos colegas que estavam no mar.

Abaixo, a chegada da bagaceirada na praia.

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Logo em seguida, o Professor Bossle começou a disciplinar a turma. O Henrique achou que a água estava muito fria, e não queria entrar. Nosso Professor resolveu o problema de forma simples e educada: “coloca a roupa e entra! ” E era isso.

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Sintam o nível do aquecimento puxado pelo nosso admirável monitor Nacho (o mais à direita na foto abaixo)! Daqui a pouco mostrarei para vocês o altíssimo nível do nosso decurião.

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Então, o Professor Bossle e o grande Nacho entraram na água para analisar as condições do influxo que, a esta altura, encontrava-se no seu pleno estofo.

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Logo em seguida, deu-se a entrada da primeira turma no mar. Isso causou um frenesi absurdo na beira da praia. Era mulher gritando, homem se escabelando, chupa-cabra balindo…. Lá vão os bonitões!

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Os bombeiros, que treinavam nas imediações, vieram correndo para tentar evitar a tragédia!

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Mais uma vez, o Professor Bossle atuou “delicadamente” e os salva-vidas, do mesmo jeito que vieram, voltaram!

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E, enquanto o Professor tentava amestrar os seus “lobos-marinhos”, na areia, a Isadora demonstrava o mais puro domínio de bola em seu futebol-arte! Os barbados, inclusive o que escreve, estavam impressionados com a habilidade da menina!

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Então, o mestre mostrou para os animaizinhos como se passa parafina na prancha.

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E não é que eles aprenderam! (Pelo menos isso…)

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E aí os buniltifuls foram para a água com as pranchas do profe!

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Nosso dedicado mestre, em sua fé e confiança inabaláveis, continuou com o amestramento!

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Todos tiveram a oportunidade de deitar sobre as pranchas e, auxiliados pelo mestre e pelos monitores, dar algumas remadas.

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Nosso incansável Nacho corria do mar para a areia e da areia para o mar sempre buscando uma forma de ajudar os companheiros. Na foto abaixo vejam a estileira do rapaz!

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E por falar em estileira, deixem-me tecer alguns comentários a respeito da monitoria da disciplina. Faço isto porque sei que muitos colegas da ESEFID, ao lerem este texto e verem estas fotos, sentirão vontade de se candidatar ao cargo de monitor desta doutrina. Pois saibam que os critérios do mestre Bossle são bastante eletivos para a disputa da vaga. Se você não for capaz de fazer o que o Nacho faz no vídeo abaixo, por favor, nem envie o seu currículo – será perda de tempo!

Vejam eu, a Vitória e o Litran Bolt Slater!

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Abaixo, a Jamile se prepara para decolar nos aéreos…

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A Isadora tenta ensinar um pouco da sua arte para o Sérgio…

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E os “Sungas” (só quem tinha sunga bonita – gezuismariaejozé) se reúnem!
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Gente, ainda teremos mais três encontros nas areias de Tramandaí. Mas, independentemente do aprendizado da metodologia do Surf, o importante foi, é e será a alegria e amizade desenvolvidas tendo como pano de fundo e motivo principal, talvez, a mais bela prática junto à natureza desenvolvida pelo homem: o Surf.

Quero deixar aqui os meus sinceros agradecimentos à UFRGS, na figura dos professores da ESEFID, pela modernidade de pensamento e de atitudes ao proporcionar aos seus estudantes a oportunidade de contato com uma prática ainda bastante incipiente nos meios acadêmicos, e marcada por vasta gama de antigos e obscuros preconceitos.

Agradeço ao excepcional mestre Professor Dr. Fabiano Bossle pela iniciativa e persistência em liderar e suportar (inclusive financeiramente) a disciplina de Surf. Prezado Professor, desculpe-me pelas brincadeiras acima, e muitíssimo obrigado pelo carinho nos transmitido de forma sincera e honesta, e pela serenidade transcendental com que conduz o seu trabalho. Em tempo: este agradecimento é válido desde o estágio no ensino médio no Colégio Inácio Montanha.

Nacho, muito obrigado por tudo! Tu és, apenas, 10 (A com estrelinha)!

Agradeço, ainda a todos os colegas – Andressa Roberta Rodrigues Delazeri, Angel Parada Martínez, Betina Franceschini Tocchetto, Carolina de Ávila Rodrigues, Dante Leon Fraga Cabreira, Geórgia Fernandes Balardin, Gonzalo Lijó Pérez, Henrique Salgado de Oliveira, Isadora Vieira Prates, Jacson Severo de Olveira, Jamile Mezzomo Klainovicz, João Paulo Pelizzari Dias, Jordana Pinheiro Pires, Kelvin Kerry Kessler, Pablo Soares Macedo Lopes, Rafael Vicente Litran, Sérgio Ferrarini Santos, Tanise D’Avila Rodrigueiro, Vinícius Franke Krumel e Vitória Crivelaro Sanchotene – pela parceria na empreitada, e, principalmente, por terem tornado o sábado já mencionado ainda mais bonito e colorido.

Por fim e mais importante, agradeço a Deus pela benção deste encontro e do convívio com amigos tão especiais citados acima, e peço a Ele que continue nos abençoando e protegendo em todas as águas e ondas que viermos a surfar.

Abraços pra quem for de abraço, e beijo pra quem for de beijo!

Até a próxima!

Aloha!

Juarez Arigony

Audax Trail Tour 2016 – Edição São José do Hortêncio – 06 de agosto de 2016

Meus Josés e Minhas Hortências,

             Considero uma verdadeira benção divina poder estar com a Equipe Daniel Rech em mais um sábado inesquecível. E isso acontece não só pela alegria e descontração que vocês poderão observar nas fotos que se seguem, mas, especialmente, por tudo de bom que se compartilhou nas poucas horas que passamos juntos: amizade, parceria, companheirismo, bom humor, … E não estou nem um pouco preocupado em definir aqui se todas essas coisas são sinônimas, aliás, não estou preocupado com absolutamente nada. Apenas me sinto um privilegiado por poder ter dividido tudo isso com esses maravilhosos amigos.

             Vejam a nossa chegada à pacata localidade bucólico-rural (Credo! Tô me puxando!). Lá no fundo, ao lado da minha cabeça, vocês podem ver o ginásio onde foi dada a largada da prova. Observem a posição do Pedroca – eu explico: é que São José é a capital nacional do aipim, também conhecido como mandioca, e o nosso atleta já está se preparando para acocar no inhame (só eu mesmo para uma sacada destas!).

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Mas, justiça seja feita, graças à disposição do nosso querido Pedroca foi que recebemos os kits da prova. E, por falar em disposição, vejam as caras da Aline, da Débora e da Greice nesta foto! Bota disposição nisso! Deusulivre!

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Abaixo, observem o aspecto geral da chegada da bagaceirada ao local do evento.

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E aqui, ao fundo, as montanhas que trilhamos ao longo do percurso da prova.

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Vejam, abaixo, o Coronel, à porta da van, merendando um pouco antes da largada – coisa pouca: dois sanduíches “iches”, duas bananas, dois ovinhos cozidos, duas batatas doces e 500 ml de garapa de cana apenas para manter a pressão!

05 Vejam, ainda à porta da van, as flores da equipe reunidas (Ops! Tem um flor também!). Tiago, tu ainda não me conheces, e podes estar pensando: mas que intimidade este cara tem comigo para me chamar de “flor”? E eu respondo: nenhuma! Mas aguenta que é assim mesmo!

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E a porta da van rendeu grandes momentos fotográficos. Aí estão, praticamente, todas as flores reunidas. Mas o que são aqueles óculos de armação branca? Sógesuissalva!

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Reparem no orgulho da menina por estar usando, depois de tanto tempo, a gloriosa camiseta da Equipe Daniel Rech! Mais animado que ela só o fiscal da prova em baixo da barraca azul! Misericórdia!

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Também marcaram presença, as equipes Veloz e Três Figueiras – as duas de barraca armada! Oigalê indiada buena!

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Momentos de ternura 1 – Itatiaia e Francisco.

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Momentos de ternura 2: Chichico e Juju!

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Mais uma vez, quero aproveitar a oportunidade para parabenizar e enaltecer o trabalho fantástico da Equipe Audax Eventos Esportivos organizadora do evento. Edu, Ricardo e Badico são mestres na arte de realizar corridas para quem gosta de corrida – coisa muito difícil de se encontrar no nosso adoentado calendário regional de eventos. Parabéns, Audax!

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E, antes da largada, a tradicional foto de uma das equipes mais antigas de corridas de rua (trilhas, lagoas, desertos, selvas, savanas, caatingas, montanhas, …) da capital dos gaúchos – a Equipe Daniel Rech. Parabéns, Professor Daniel, por, há tanto tempo, conseguir manter esta união e este trabalho digno apenas dos grandes mestres.

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Sem mais delongas, vamos para a largada!

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Vejam o estouro da boiada! Observem a concentração, ou abatimento, do Coronel após a realização do seu breve snack.

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E aí vai a gurizada mato a dentro!

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Peço desculpas aos colegas e leitores do post por não dispor de fotos do percurso propriamente dito. Vai longe o tempo em que dispúnhamos de fotógrafo que realizava este penoso trabalho. Como também corri a prova, não pude entrar na trilha municiado de uma câmera que me permitisse uma melhor cobertura do evento.

Sendo assim, abaixo, mostro a chegada da queridíssima Kátia Miranda – a primeira menina da equipe a completar os sete quilômetros.

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Quem fez o percurso, muito difícil devido às íngremes subidas e descidas cobertas de lama, entende facilmente a felicidade da moça em exibir a sua merecida medalha. Kátia, perdão! Eu podia ter esperado aquele monstro sair dali com aquela banana!

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Um pouquinho depois, chegou a Tati!

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E lá vem o seu Júlio Miranda, procurando, desesperadamente, uma churrasqueira para assar o salchipão da equipe!

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Graças ao bom e eterno Pai, o Júlio conseguiu matar a fome da indiada! Na foto abaixo, vocês podem observar que a churrasqueira já se encontra vazia. O povo matou 10 quilos de cupim, 5 quilos de vazio, 5 quilos de costela minga, 8 quilos de picanha, além dos 450 salchipães propriamente ditos!

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Não posso esquecer de parabenizar os jovens abaixo, Eduardo, Felipe e Namorada do Felipe, pela incrível conquista do pódio em sua primeira participação em trilhas. Como diz o Professor Daniel Rech: “quem é bom já vem do ovo”!

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E também não posso esquecer de falar a verdade para vocês: o ponto alto da festa é a hora em que surgem os prazenteiros doces da Confeitaria Matheus! O que era aquilo? Pequenos quitutes de doce de leite, creme e chocolate que fizeram a alegria daquele bando de esfaimados! Jesuismariaejosé! Conceição, eu acho que não merecia tamanha delicadeza! Sendo assim, brigaduuuuuuuuu!

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Gente, a verdade é que fazia muito tempo que eu não corria uma prova tão difícil – meu corpo está manifestando, nitidamente, sinais de absoluta fadiga. Dessa forma, e por já ser quase meia-noite, peço licença a vocês para procurar os braços de Morfeu (um deus grego que me faz sonhar, ui!).

Do fundo do meu coração, espero que, em breve, tenhamos a oportunidade de repetir eventos como o de hoje. E peço que o bom e maravilhoso Senhor do Universo nos mantenha em perfeitas condições de saúde e paz até (e além da) a chegada deste dia!

Abraços para quem for de abraço, e beijos para quem for de beijo!

Juarez Arigony

A FESTA É SUA, A FESTA É NOSSA, É DE QUEM QUISER…

Meus Atlântidos e Minhas Xangri-lás,

            Estamos naquela época em que começamos a pensar e a fazer planos para o próximo ano. Isso, para os corredores, é importantíssimo, pois é muito grande a oferta de provas e nem todas têm a qualidade que desejamos. E nem é necessário frisar o planejamento que elas demandam. É fundamental que tenhamos bem definidos os nossos objetivos, e que a escolha dos eventos de que participaremos esteja corretamente alinhada com eles.

            Também não podemos nos esquecer de que é chegado o tempo das festas. Eu acredito que sempre temos motivos para comemorar e, mais do que isso, creio que merecemos e devemos brindar e festejar junto àqueles que amamos. Só o fato de termos podido treinar e superar tantos desafios ao longo do ano que passou, já é motivo mais do que suficiente para erguermos nossas taças!

            Eu, particularmente, tenho muita fé nas palavras do Pregador: há tempo para rir e há tempo para saltar de alegria… (Ec 3: 4) E é esse o tempo! Porque também é certo que chegará o tempo de treinar sério, de chorar, de passar dos limites e de guerrear. Sendo assim, eu sugiro que utilizemos esse tempo de paz para nos prepararmos para os futuros combates. Dentro deste espírito, eu gostaria de recomendar-lhes algumas provas que, ao mesmo tempo em que abrigam toda a felicidade da estação do sol, já vão lhes mostrar o que está acontecendo de novo no front.

            No próximo dia 14 de janeiro ocorrerá a primeira prova de 2012 – a Atlântida/ Xangri-Lá Night Running. Antes de qualquer coisa, será uma baita festa! E não é festa o que nós queremos? 

 Será uma grande oportunidade de começarmos o ano brincando e festejando nas areias mais charmosas e badaladas do litoral gaúcho. A largada e a chegada serão ao lado da Plataforma de Pesca de Atlântida com luzes e muita música! Haverá percursos de cinco e de dez quilômetros pela parte dura da areia, o que permite a participação de todos, dos iniciantes aos mais experientes corredores. A noite de lua cheia (confira na folhinha) e o trajeto demarcado por tochas criarão aquele clima de luau esportivo – a beira mar ficará linda!

Após as festas de final de ano é a oportunidade ideal para reiniciar os treinos e retomar o ritmo das provas. Acho interessantíssimo que você leve muitos colegas e amigos porque haverá premiação para a equipe com maior número de participantes. Abaixo: Cleber, Gerson, Antônio Carlos, Adriano e José Nunes (Equipe Sub 4), os campeões de Tramandaí.

 

O evento ocorre com duas garantias fortíssimas: a organização da Audax 4 Eventos Esportivos e o patrocínio da Paquetá Esportes. A empresa organizadora vem se firmando, cada vez mais, em nosso estado, pelas novidades implantadas em suas provas. Dia 29 de janeiro passado eu participei da Tramandaí Night Running, também realizada por eles e que foi um enorme sucesso. Foi lá que, pela primeira vez, recebi uma lanterna de cabeça no kit. E, creiam, foi muito bonito e diferente ver aquela multidão de corredores iluminando a noite escura na beira da praia. 

 

A Paquetá Esportes dispensa qualquer apresentação, pois é a marca mais presente na cabeça e nos pés dos atletas gaúchos. Já conhecida pelo patrocínio dispensado ao futebol, a empresa vem também se voltando para as provas de rua. Esse foi o caso recente das 10 Milhas Noturnas de Gramado e da 7ª Maratona de Revezamento Paquetá Esportes Asics. Estou curioso para ver o kit, pois esse, certamente, será um belo fruto dessa nova parceria. 

 

Inscreva-se em www.audax4.com.br e veja mais informações em http://audax4.blogspot.com/.
Duas semanas depois, dia 28 de janeiro de 2012, uma das provas mais esperada pela imensa comunidade corredora do país – a Travessia Torres Tramandaí, em sua oitava edição.

Parece que ainda há a possibilidade de inscrição para equipes que não correram em 2011.
Para correr na categoria individual (Casca de Abacaxi!) o atleta tem que comprovar resultados obtidos em maratonas e ultramaratonas, além de apresentar atestado médico comprovando sua aptidão para a empreitada. Nessa categoria o buraco é bem mais em baixo! É para aqueles que, previamente, estabeleceram esta prova como um objetivo, tal e qual mencionei no início do texto. 

 

Mas, se você não quiser ficar de fora da festa, corra num quarteto, ou mesmo num octeto. É uma grande oportunidade para confraternizar com, praticamente, todas as equipes de corrida do estado e muitas de outras partes do Brasil. Você também pode fazer o trecho onde está a sua casa na praia e receber os aplausos e os incentivos dos parentes e amigos.
A premiação ocorre a partir das seis horas da tarde, na chegada, em Imbé. E aí é apenas o início da noite… Sabe o que vem pela frente? Festa… Mais festa… Muita festa!

As inscrições podem ser feitas em www.corpa.esp.br ou www.blogcorpa.blogspot.com.
            É óbvio que já estou inscrito nas duas provas que mencionei! Espero encontrá-los lá!
            Lembrem-se do que Salomão nos ensina: “tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” (Ec 3: 1) Insisto: é tempo de festa, é tempo de correr e é tempo de correr festejando ou de festejar correndo – essa decisão é sua!
            Aqui, tomo a liberdade de copiar o slogan da campanha de final de ano da Rede Globo de Televisão: “A festa é sua, a festa é nossa, é de quem quiser e VIER!”
            Então, VENHA!

Abraços e Beijos,

Juarez Arigony

Observação: meus sinceros agradecimentos aos sites e blogs de onde retirei as fotos deste post: http://fisiorunners.blogspot.com/, http://audax4.blogspot.com/ e www.audax4.com.br.

7ª MARATONA DE REVEZAMENTO PAQUETÁ ESPORTES ASICS – 06 DE NOVEMBRO DE 2011

Meus Paqueteiros e Minhas Paqueteiras,

            Numa bela manhã de domingo, onde a primavera antecipou e anunciou o que virá pela frente, teve lugar a prova título deste post. Antevejo temperaturas cada vez mais elevadas – os que viverem “verão”…

 

            O BarraShoppingSul vem se firmando como um dos melhores locais para partidas e chegadas de provas de rua. Seu parqueamento proporciona um bom local para a montagem das barracas das equipes, além de segurança para os carros dos participantes.

 

Apenas essas duas vantagens sobrepujam quaisquer outras oferecidas pelos locais de praxe ao longo da Avenida Beira-Rio.

            Para ficar ainda melhor, sugiro a colocação de duchas para que os atletas possam se refrescar por ocasião da chegada. Nas provas realizadas sob o forte calor do verão isso seria bastante agradável. Não é possível a instalação dos chuveiros? Já pensaram em caminhões-pipa?

            Constatei alguns pontos negativos. Ouvi o narrador do evento utilizar expressões um pouco preconceituosas, como por exemplo: “tem até japonês que vai correr!” Eu pergunto: qual o problema com relação aos nipônicos? Há excelentes corredores niseis e sanseis! Eu mesmo conheço vários!

            O percurso, em minha opinião, só teve um pequeno defeito: o congestionamento de corredores nos primeiros dois quilômetros e meio.

 

Isso tem que ser resolvido para permitir que a disputa ocorra de forma mais natural. Os atletas mais fortes não podem ser impedidos de abrir as passadas e aumentar suas velocidades pela presença de grande quantidade de gente numa faixa estreita.

 

            Para evitar esse problema, o Coronel e a Lila (Equipe Daniel Rech) abriram o gás e ainda fizeram pose para a foto – vejam o que é a sincronia da dupla: os dois muito felizes e com a passada igualzinha! Eis aí a “Foto do Post”!

 

            Lá na frente, o meu amigo Daniju (Equipe Daniel Rech) deixava os adversários na neblina!

 

            Agora… A Cris deu uma de esperta – foi de táxi até quase o Corpo de Bombeiros! E ainda achou graça!

 

            Cumpre-me ressaltar que os postos de hidratação estavam muitíssimo bem distribuídos com farto provimento de água e de isotônicos. Considero importante porque não é o que acontece na maioria das provas.

            Cito agora a pior falha da organização. Por volta do quilômetro 8,5 encontrei o meu amigo João Maciel. Ele estava se sentindo um pouco mal e, sabendo disso, resolvi acompanhá-lo até o final. Sem condições de correr, terminamos caminhando.

 

Assim que cruzou o pórtico de chegada, o Maciel foi direto ao atendimento médico. Trago esse fato ao conhecimento de vocês porque fiquei pasmo ao saber que na barraca da enfermagem não havia um glicosímetro – considero isso uma verdadeira irresponsabilidade! Todos sabem da grande quantidade de diabéticos que participam das provas, sendo, inclusive, este redator que ora vos escreve um deles. Esse aparelho tem custo insignificante, porém sua falta impede uma avaliação pertinente das condições glicêmicas da pessoa, conseqüentemente, torna impossível um correto tratamento. Isso é seriíssimo e, sinceramente, espero que sejam tomadas providências para que não torne a acontecer.  

            Somando todos os pontos positivos e negativos, considero que o saldo foi satisfatório. Espero que sejam sanadas as dificuldades que mencionei – são muito simples e os corredores merecem.

            Em tempo: perdoem-me pela brincadeira com a Cris. É evidente que ela não foi de táxi coisa nenhuma! Se assim o tivesse feito, não teria sua foto publicada aqui. Ela correu e correu muito! Sou testemunha disso!

Que o bom Deus nos proteja e abençoe nos treinos e provas que vêm pela frente!

Abraço prá quem for de abraço e beijo prá quem for de beijo,

Juarez Arigony

Ironman World Championship 2011


Fiquei impressionado com o Ironman de Kona realizado no último dia 8 de outubro. Como em qualquer triatleta, esta prova causa-me profundo impacto e dela sempre procuro tirar lições e ensinamentos para o dia em que eu for ao Havaí disputá-la. Os dados aqui apresentados são uma tradução livre de um post de Kevin Mackinnon (http://ironman.com/events/ironman/worldchampionship/kona2011/kevin-mackinnon-recaps-an-incredible-day-of-racing-at-the-ford-ironman-world-championship#axzz1b9HgLRw7) e as fotos foram retiradas de diversos sites. Mas apresento também o meu próprio ponto de vista sobre um aspecto que vem sofrendo grandes modificações com o passar dos anos: a especificidade. Antes de tocar nesse assunto, convido-os a conhecer um pouco mais a respeito desta verdadeira prova de fogo.

A PROVA

Todo triatleta sabe que a data mais importante do ano é o dia do IRONMAN WORLD CHAMPIONSHIP. Esta é a prova que fez nosso esporte atingir a maioridade, e também é a competição que define tudo.

Para estar na linha de largada em Kona, você deve ou ter muita sorte e conseguir a vaga através de um sorteio, ou ser muito talentoso, e conquistá-la através de um dos eventos qualificatórios realizados ao redor do mundo.

Dezenas de milhares de triatletas tentam, a cada ano, obter uma dessas cobiçadíssimas posições. Este ano, apenas 1800 conseguiram.

Isso significa que 1800 “sortudos” tiveram a oportunidade de se testar em um dos maiores desafios que o mundo do esporte tem para oferecer: 3,8 km de natação, 180 km de pedal e uma maratona através de um mar bravio e de um terreno desafiador coberto de lavas vulcânicas.

Embora existam milhares de triathlons em todo o mundo, este é o que realmente define o esporte. Tudo começou em uma cerimônia de premiação de uma corrida de revezamento realizada em Honolulu nos idos de 1977. Um grupo de atletas locais discutiu a idéia de uma prova de endurance combinando três grandes eventos que já existiam na ilha. John Collins sugeriu juntá-los e fazê-los em um único dia. Mais tarde, naquela noite, Collins subiu ao palco anunciando que “quem terminasse em primeiro lugar, seria chamado de “IRONMAN”. Desde então, o evento se tornou a “Copa do Mundo” do triathlon. O que o torna tão único é que atletas “médios” competem ao lado dos melhores do planeta.

CRAIG ALEXANDER ENTRA PARA A HISTÓRIA

 

Craig Alexander, no dia 8 de outubro de 2011, tornou-se uma lenda – ele passou a ser um dos quatro homens do mundo que venceram o IRONMAN WORLD CHAMPIONSHIP pelo menos três vezes. Escreveu seu nome em uma lista que inclui Dave Scott, Mark Allen e Peter Reid. “A corrida foi quase perfeita”, disse ele. “É o que você sonha, o que você aspira e o que fica para fazê-lo sair para treinar”.

Alexander passou um ano inteiro pensando nesta prova. Ele teve muita classe ao dizer que foi “espancado” pelos três melhores atletas de 2010, e que isso não foi fácil. “No ano passado doeu muito”, disse ele. “Principalmente porque eu tinha uma boa corrida. Mas, Chris (McCormack), Marino (Vanhoenacker) e Andy (Andreas Raelert) dificultaram as coisas. Então, eu disse aos meus amigos que precisaria treinar mais. Esta prova foi o fruto de todo este trabalho duro”.

Eis o que Alexander fez: juntou-se ao clube dos três vencedores ilustres, estabeleceu um novo recorde para o percurso de Kona (08:03:56) e também se tornou o primeiro homem a vencer tanto o IRONMAN quanto o CAMPEONATO MUNDIAL DE IRONMAN 70.3 no mesmo ano. “Eu imaginei que seria incrível se alguém pudesse ganhar ambos os campeonatos”, disse ele a respeito dessa façanha.

E é justamente sobre este aspecto que quero me deter um pouco mais.

Eu sou do tempo em que o mundo não era tão específico quanto o é hoje. Os professores dominavam todas as disciplinas, os médicos curavam todas as doenças, advogados defendiam quaisquer causas e o Pelé jogava em todas as posições – até mesmo no gol!

Pelo que me lembro, foi, mais ou menos, nos anos 70 que a especificidade começou a entrar em campo de uma forma mais incisiva. Professores tornaram-se mestres em determinadas matérias, muitos médicos especializaram-se na falange quirodáctila articulada do metacarpo, os causídicos defendem teses cada vez mais minuciosas e pormenorizadas, e o Pelé… Coitado… Acho que ficaria de fora da seleção do Mano Menezes!

Lembro-me disso ter-se tornado muito evidente, bastante cedo, na natação. Nadadores especializaram-se em provas curtas, que iam de 100 a 200 metros, outros em médias distâncias, na faixa dos 400 metros e, por fim, os fundistas, especialistas em 1500 metros. Hoje ainda há os maratonistas aquáticos, que nadam em mar aberto, distâncias acima de 5000 metros. Todos esses espetaculares atletas da água esforçam-se para não invadir a praia dos outros e ficam, como dizem alguns, “cada um no seu quadrado”.

Confesso que nada tenho contra a especialização, mas, no entanto, sinto profunda admiração e respeito por atletas que conseguem provar que ela é, às vezes, pouco significativa. E esse, em minha opinião, foi o grande mérito de Craig Alexander tornando-se, este ano, campeão mundial de half e de full iron. Através de um parecer muito pouco técnico eu diria que quem é bom, é bom em qualquer distância, é bom em qualquer tempo e é bom em qualquer terreno. Ou como diria o meu mestre, professor Daniel Rech: “quem é bom já vem do ovo!”

Voltando ao excepcional feito de Alexander, sua vitória foi o resultado de uma incrível melhora no ciclismo – ele andou treze minutos mais rápido do que o melhor tempo que já fizera em Kona!

“Eu estava me sentindo bem – muito confortável na natação e na bike. Então, na corrida, Andy colocou pressão sobre mim. Eu estava correndo a 3’ 34”/ km e estava sendo alcançado. Pensei: estou dentro! Do 6º ao 29º quilômetro, corri fora da minha zona de conforto.

 Vi, no ano passado, que esta corrida é estratégica, mas não queria desistir do tempo que havia trabalhado tanto para conseguir. Tive que assumir o risco, pois queria correr como um atleta que já havia vencido a prova anteriormente. Eu queria ser o homem que controlava as coisas.”

Quem conhece Alexander sabe que ele é humilde e rápido em elogiar os grandes que o precederam no esporte. “Para ser justo com as feras do passado, nosso esporte tem sido muito fortemente apoiado pela tecnologia”, disse ele, referindo-se ao fato de haver quebrado um recorde que se mantinha desde 1996.

Durante a prova, por longo tempo, Alexander teve que suportar fortíssimas cãibras. Elas surgiram nos últimos sete quilômetros da corrida e forçaram-no a uma verdadeira luta. “Sempre há um momento em que as cãibras aparecem”, disse ele. “Eu corri sem as cápsulas de sal. Senti-me bem na passagem pelas special needs e sequer peguei a minha sacola. No 35º quilômetro eu estava sentindo-as nas isquiotibiais e panturrilhas – eu estava iniciando a subida da Colina Mark e Dave e achei que isso me ajudaria. Eu chegaria ao topo e faria alguns alongamentos. Eu tinha uma vantagem de seis minutos e soube que Pete havia andado um pouco. Então eu pensei que daria tudo certo. Se Paula pode andar na Ali’i Drive, então qualquer um pode…”

Alexander, sabendo que estava a um pace recorde, esqueceu-se completamente das cãibras. Na descida da Palani Road ouviu Mike Reilly anunciar: “ele vai quebrar o recorde!” Então, percebeu que poderia fazê-lo e deu um pequeno sprint.

O sprint foi o suficiente para colocar Craig Alexander no livro dos recordes e estabelecê-lo como o homem mais rápido do mundo neste percurso. E esse foi apenas um dos recordes que ele bateu nessa prova. Bom para o nosso esporte é que Craig Alexander está mais uma vez vestindo o manto de campeão do mundo – embaixadores como ele são especiais.

Faço questão de mencionar o fantástico desempenho de Chrissie Wellington.

Apesar dos inúmeros ferimentos sofridos durante um treino de bike

 a menos de duas semanas, a moça levantou seu quarto título (08:55:08).

 

Quem assistiu a prova, diz que era visível em sua expressão toda a dificuldade que estava sentindo. A natação, extremamente prejudicada pela perda de flexibilidade, não foi suficiente para desanimá-la. Pouco a pouco foi galgando posições e, merecidamente, chegou à vitória.

 

O Ironman World Championship 2011 foi uma verdadeira aula sobre as principais virtudes do esporte: determinação, força de vontade e garra. Craig Alexander e Chrissie Wellington são os mestres e espero ter a capacidade de assimilar os seus incontáveis ensinamentos.

Para encerrar, quero deixar aqui os meus parabéns a todos àqueles que se superam diariamente. Parabéns a todos os que treinam em qualquer piscina, em qualquer mar, pedalam com todos os tempos e correm por qualquer terreno. Parabéns aos “triatletas genéricos” que encaram toda e qualquer dificuldade. Afinal, a vida é para quem topa qualquer parada e não para quem pára em qualquer topada! Parabéns à Chrissie Wellington pelo exemplo de gana e de superação. Parabéns a Craig Alexander pelos recordes e por derrubar o mito da especificidade!

Que Deus continue sempre nos abençoando!

Abraços e beijos,

Juarez Arigony