A COMPETITIVIDADE

Meus Ansiosos e Minhas Ansiosas,

            Ao longo de toda a minha vida esportiva tenho me deparado com atletas dotados de diferentes níveis de competitividade. Por isso, esse assunto sempre me interessou e fez com que eu dedicasse muitas horas ao seu estudo. Divulgando as minhas conclusões, espero ajudar a todos os que têm duvidas relacionadas a isso.

            Primeiramente, tentarei delinear o que a literatura técnica diz a esse respeito. É necessário deixar claro que os estudiosos definem a competitividade como uma forma de ansiedade, chamando-a, inclusive, de ansiedade competitiva.

Tendo como base os estudos de Spielberger (citado por De Rose Junior, 1985), Martens (1977) desenvolveu a teoria da ansiedade-traço competitiva que seria a predisposição de perceber eventos esportivos como ameaçadores. A ansiedade-traço competitiva é uma característica relativamente estável e pode produzir variações previsíveis no desempenho. Sendo assim, esteja atento, pois ela pode estar na raiz dos seus insucessos.

 A ansiedade-estado competitiva é um estado emocional imediato e transitório expresso por respostas do indivíduo, que percebe certas situações como ameaçadoras, estando ou não presente o perigo real. Veja a ansiedade-estado manifestada no gesto do ciclista ao fundo da foto abaixo.

A ansiedade-traço competitiva faz com que o atleta perceba certos estímulos do meio competitivo como ameaçadores ou não, e a eles responda com níveis variados de ansiedade-estado. A forma como o atleta interpreta esses estímulos pode variar de acordo com o tipo de esporte, idade e sexo.

Nas atividades esportivas a que me refiro – principalmente os triathlons e corridas de rua – há sempre dois ou mais participantes que lutam para vencer determinada disputa. É nesse cenário que surgem dois aspectos da vivência esportiva: a esportividade e a competitividade. Mas até que ponto uma pode atrapalhar a outra? Sendo que a última pode chegar a despertar os piores tipos de sentimentos que existem nas mais diversas práticas esportivas, onde está o limite entre uma e outra? Veremos, agora, um pouco sobre cada um desses conceitos.

A competitividade no seu sentido etimológico significa a disputa de competências, ou seja, uma rivalidade entre competências distintas, onde uma pode sobrepujar a outra. A esportividade é o ato de disputa de forma lúdica, uma rivalidade recreativa onde a atividade do desporto é mais importante que a vitória em si.

Esse confronto começou a pesar para o lado da competitividade em um dado momento em que as atividades esportivas começaram a virar negócios envolvendo bons montantes pecuniários e a grande mídia começou a vender a idéia de que se você não é um vencedor no esporte está fadado a ser um perdedor na vida. Diversas atrações midiáticas sejam comerciais de televisão, jornais, revistas e novelas vendem essa idéia; ou a troco de que a Accelerade iria vincular a sua marca a um astro do esporte como Dave Scott? E a Oakley a outro como Oscar Galindez?

O fato é que a competitividade em um nível moderado auxilia a evolução dos atletas e, conseqüentemente, da prática desportiva, uma vez que o sentimento de derrota, em um primeiro momento, pode ser um fator intrínseco para uma volta por cima. Entretanto, a competitividade, dependendo do nível dos atletas envolvidos, pode passar dos limites despertando o que de mais nocivo existe para a atividade esportiva que é a falta de lealdade, e a tomada de atitudes antidesportivas. Cuide-se! Não se permita chegar a esse ponto!

Nas corridas de rua e nos triathlons vejo a competitividade se manifestar das mais variadas formas. Inúmeras vezes ela foge do nível moderado a que me refiro no parágrafo anterior e toma a forma de outros substantivos. Há pessoas que, de tão “competitivas”, só se preocupam com os resultados dos outros. São aquelas que, ao terminarem o treino ou a prova, querem saber o tempo e a classificação dos adversários antes mesmo de saberem os próprios. Eu tenho certeza que você também conhece gente desse tipo. O problema é que isso vai muito além dos limites aceitáveis da competitividade e da esportividade. Essas atitudes causam apenas mal-estar e desconforto entre os envolvidos, e, muitas vezes, provocam um clima de desunião se ocorrererem dentro de algum grupo ou equipe.

Sempre gosto de ressaltar que, a menos que você seja um atleta profissional, não há a necessidade de ser tão competitivo. Curta mais seus treinos e provas! Curta a paisagem das trilhas e até mesmo das ruas das cidades por onde você corre! Curta os amigos que o esporte lhe permite fazer! Sem receio algum de estar dando uma orientação indevida: curta a festa e a diversão! Curta a brincadeira! Lembro-me sempre de um sábio conselho da minha avó: “não paramos de brincar porque envelhecemos; envelhecemos porque paramos de brincar!”

O mais importante da atividade esportiva social, é manter sempre a esportividade e não levar tão a fundo a competitividade, pois, ao contrário do que a mídia vende através dos mais diversos meios de comunicação em massa, nem sempre ser vencido no esporte significa que a pessoa será vencida na vida. Competitividade moderada, esportividade alta… E viva a ludicidade! Não esqueça: “brincar é condição fundamental para ser sério!” (Arquimedes)

Abraços e Beijos,

Juarez Arigony

REFERÊNCIAS:

1) ANSIEDADE-TRAÇO COMPETITIVA E ATLETISMO: UM ESTUDO COM ATLETAS INFANTO-JUVENIS. Dante De ROSE JUNIOR; Esdras Guerreiro VASCONCELLOS.

2)      http://esportesocial.com/

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10 respostas em “A COMPETITIVIDADE

  1. Juarez!
    Magnífica postagem!
    Sempre muito inteligente nas argumentações, com as belas fotos e muita qualidade de escrita. Achei muito agradável ver as referências ao fim do texto. Isso traz credibilidade.
    Continue escrevendo! Teus textos são singulares. Percebo que tem um “toque” da tua personalidade nas palavras. Isso torna teu texto muito único! Parabéns!
    E um viva à esportividade!
    Grande abraço!

  2. Fala Juarez, muito legal esta sua postagem sobre competitividade, acho que muitos atletas não sabem realmente o que é isso, e acabam deixando atrapalhar um pouco. O bom da atividade física é curtir o que está fazendo, apreciando cada vez mais o esporte em si, tirando dele detalhes que possam fazer a diferença

    um grande abraço

    Ken

    • Professor Ken,
      Não podes imaginar a importância do teu comentário!
      Tua vida esportiva e teus expressivos resultados avalizam o que disseste.
      Tuas palavras, como treinador e nadador de elite, me dão forças para continuar nessa luta tantas vezes inglória.
      Agradeço demais pelo trabalho incansável na beira da piscina e pela força!
      Muito obrigado!
      Abração!
      Juarez Lucas

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